Mon, Apr 20, 2009
Pensamentos sobre: ATOS 1 : 6 - 11 (A MISSÃO)
Finalmente, amigos! Tomara que este estudo chegue numa boa hora na vida de vocês.
Pois é, a situação é a seguinte. Jesus venceu a morte, apareceu para os discípulos, reascendeu todo o brilho da fé de cada um que esperava ansiosamente pelo reino de Deus (ou seria o reino de Israel?). Quem sabe os discípulos não estavam de fato enganados, quem sabe o Messias veio mesmo para reinar sobre Israel e acabar com o Império de César, restaurar o reino de Deus (ou seria de Israel?). Quem sabe até essa era a hora de Jesus governar soberano e cada um de seus discípulos serem indicados a governantes de cada um das doze tribos. Tanto esforço nesses últimos anos e agora parece que chegou a hora. A hora de Jesus, que fora humilhado diante do povo e das autoridades, ser exaltado e restaurar o reino a Israel (ou seria o reino de Deus?). A hora dos discípulos desfilarem frente à multidão que os ridicularizava. Jesus ressuscitou! Agora nós iremos governar com ele!
Entusiasmados, afoitos como uma criança na véspera de Natal, os discípulos perguntam: É agora, Mestre? Chegou a hora de tomar o teu reino (ou seria de Israel?) nas nossas, isto é, tuas mãos? Valeu a pena tê-lo seguido até aqui, Mestre. Quase não conseguimos esperar por nos assentarmos naqueles tronos que tu prometeste. Tu sabes, que com teus ensinamentos, julgaremos as tribos de Israel com equidade e justiça, não é mesmo?
Leia a resposta de Jesus no versículo 7: “Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade...” Imagine a cena, o olhar atônito dos discípulos que esperavam tudo, menos uma "invertida" dessas. Imagine-os atordoados, pensando consigo mesmo sobre suas expectativas, suas ambições, seus planos de governo, suas promessas para si mesmos. Tudo reduzido a nada frente à autoridade soberana do Pai.
"Não vos compete saber..."! Não é isso que eu vim fazer aqui, não é isso que eu quero de vocês. Às vezes, Jesus diz “não” a nossos sonhos. O não de Deus para nossos planos e metas cala fundo em nossos sentidos, derrubando-nos quase que por completo. A vontade pelo sucesso tem que ser substituída pela obediência, a riqueza (quer material ou emocional) pela privação. O desejável pelo obscuro.
Assim estão os discípulos, como nós (ou como eu), estarrecidos diante de um Deus soberano que muitas vezes diz não àquelas tão afáveis intenções, àqueles tão singelos planos, altruístas, cheios de benevolência e justiça. Será que Deus realmente sabe o que faz quando diz não à nossa expressão mais genuína de bondade? Sabemos que somos maus por natureza, mas ainda temos pelos menos alguma bondade dentro de nós! Afinal não queremos que ninguém nos veja com maus olhos, nos "esforçamos" para que a nossa filantropia nos proteja, nos tornando invulneráveis. Usar da amabilidade para afastar os outros, escutar o outro para não precisar expor minhas deficiências, subir em conceito e admiração para colocar-me em um pedestal inalcançável, inatingível. Às vezes nos esquecemos de que, enquanto pessoas, nos identificamos pelas nossas fraquezas e suscetibilidades; que os vícios nos unem muito mais do que as virtudes, e acabamos por nos indignar com esse Deus que não cede frente a nossos argumentos e anseios por paz e prosperidade para o mundo que nos rodeia.
A proposta de Deus para nós é diferente do que esperamos. Trata-se de sermos testemunhas, manifestarmos a glória e o poder que não são nossos, mas sim de outra pessoa. Trabalharmos como promotores da glória de Jesus nos moldes da palavra de João Batista ("Convém que Ele cresça e que eu diminua"). Que Ele cresça, que os Seus planos sejam cumpridos, que seja feita a Sua vontade, e não a nossa, por mais límpida e amável que nossa vontade nos pareça.
Nos sobra portanto, ficar como os discípulos, emudecidos, olhos fitos no céu, como que ensurdecidos pelo estrondo causado pela quebra de nossas expectativas. Jesus ascende aos céus, aos olhos pasmos dos discípulos. É envolto por uma nuvem, ante os olhos pasmos dos discípulos; recebido por dois varões, frente aos olhos pasmos dos discípulos que contemplam, que olham, parados, perplexos, sem saber o que dizer ou fazer.
A palavra dos varões de branco são claras, taxativas: "Por que vocês ainda estão olhando aí, plantados no chão? Mexam-se, pois esse Jesus que vocês viram subir voltará do mesmo jeito, vindo sobre as nuvens com poder e glória!"
Escrevendo tudo isso, me vejo perplexo assim como Pedro, Tiago, João..., olhando para o céu. Uma sensação de incapacidade, de fraqueza imensurável me diz que é muito difícil, que é praticamente impossível. Não estou falando de ser testemunha. Estou falando daquelas coisas que “não me competem saber”. Abrir mão do que é palpável, firme e agradável, em favor do que não está sob meu controle, do que está oculto mas que pode ainda assim ser a melhor e mais acertada opção da minha vida é o que me parece loucura, suicídio.
Um tanto de descrença se aproxima. Diminuir em favor daquele que já tem céus e terra sob seus pés? Abrir mão de glória e honra em favor daquele que já é glorificado até pelos anjos do céu? Convém que Ele cresça e eu diminua?
Em toda minha sinceridade, confesso: a única coisa que me resta é a própria fé, a crença de que Deus cumpre a promessa que diz: "... mas recebereis poder (em outra tradução virtude) ao descer sobre vós o Espírito Santo...". Poder para sermos testemunhas. Para falarmos da Glória de Jesus e não da nossa própria glória. Poder para atrairmos as pessoas para Cristo em vez de tentarmos causar admiração pela nossa própria pessoa; para nos entregarmos a Deus por completo, inclusive negando-nos a nós mesmos. Poder para pagar o preço do discipulado, para tomar a cruz e segui-lo... para onde quer que Ele nos leve.
Que esse Espírito venha, me transforme, me dê a virtude de ser testemunha, de abrir mão e de ceder em nome de Jesus, Amém.
Jeyson Cordeiro
Pois é, a situação é a seguinte. Jesus venceu a morte, apareceu para os discípulos, reascendeu todo o brilho da fé de cada um que esperava ansiosamente pelo reino de Deus (ou seria o reino de Israel?). Quem sabe os discípulos não estavam de fato enganados, quem sabe o Messias veio mesmo para reinar sobre Israel e acabar com o Império de César, restaurar o reino de Deus (ou seria de Israel?). Quem sabe até essa era a hora de Jesus governar soberano e cada um de seus discípulos serem indicados a governantes de cada um das doze tribos. Tanto esforço nesses últimos anos e agora parece que chegou a hora. A hora de Jesus, que fora humilhado diante do povo e das autoridades, ser exaltado e restaurar o reino a Israel (ou seria o reino de Deus?). A hora dos discípulos desfilarem frente à multidão que os ridicularizava. Jesus ressuscitou! Agora nós iremos governar com ele!
Entusiasmados, afoitos como uma criança na véspera de Natal, os discípulos perguntam: É agora, Mestre? Chegou a hora de tomar o teu reino (ou seria de Israel?) nas nossas, isto é, tuas mãos? Valeu a pena tê-lo seguido até aqui, Mestre. Quase não conseguimos esperar por nos assentarmos naqueles tronos que tu prometeste. Tu sabes, que com teus ensinamentos, julgaremos as tribos de Israel com equidade e justiça, não é mesmo?
Leia a resposta de Jesus no versículo 7: “Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade...” Imagine a cena, o olhar atônito dos discípulos que esperavam tudo, menos uma "invertida" dessas. Imagine-os atordoados, pensando consigo mesmo sobre suas expectativas, suas ambições, seus planos de governo, suas promessas para si mesmos. Tudo reduzido a nada frente à autoridade soberana do Pai.
"Não vos compete saber..."! Não é isso que eu vim fazer aqui, não é isso que eu quero de vocês. Às vezes, Jesus diz “não” a nossos sonhos. O não de Deus para nossos planos e metas cala fundo em nossos sentidos, derrubando-nos quase que por completo. A vontade pelo sucesso tem que ser substituída pela obediência, a riqueza (quer material ou emocional) pela privação. O desejável pelo obscuro.
Assim estão os discípulos, como nós (ou como eu), estarrecidos diante de um Deus soberano que muitas vezes diz não àquelas tão afáveis intenções, àqueles tão singelos planos, altruístas, cheios de benevolência e justiça. Será que Deus realmente sabe o que faz quando diz não à nossa expressão mais genuína de bondade? Sabemos que somos maus por natureza, mas ainda temos pelos menos alguma bondade dentro de nós! Afinal não queremos que ninguém nos veja com maus olhos, nos "esforçamos" para que a nossa filantropia nos proteja, nos tornando invulneráveis. Usar da amabilidade para afastar os outros, escutar o outro para não precisar expor minhas deficiências, subir em conceito e admiração para colocar-me em um pedestal inalcançável, inatingível. Às vezes nos esquecemos de que, enquanto pessoas, nos identificamos pelas nossas fraquezas e suscetibilidades; que os vícios nos unem muito mais do que as virtudes, e acabamos por nos indignar com esse Deus que não cede frente a nossos argumentos e anseios por paz e prosperidade para o mundo que nos rodeia.
A proposta de Deus para nós é diferente do que esperamos. Trata-se de sermos testemunhas, manifestarmos a glória e o poder que não são nossos, mas sim de outra pessoa. Trabalharmos como promotores da glória de Jesus nos moldes da palavra de João Batista ("Convém que Ele cresça e que eu diminua"). Que Ele cresça, que os Seus planos sejam cumpridos, que seja feita a Sua vontade, e não a nossa, por mais límpida e amável que nossa vontade nos pareça.
Nos sobra portanto, ficar como os discípulos, emudecidos, olhos fitos no céu, como que ensurdecidos pelo estrondo causado pela quebra de nossas expectativas. Jesus ascende aos céus, aos olhos pasmos dos discípulos. É envolto por uma nuvem, ante os olhos pasmos dos discípulos; recebido por dois varões, frente aos olhos pasmos dos discípulos que contemplam, que olham, parados, perplexos, sem saber o que dizer ou fazer.
A palavra dos varões de branco são claras, taxativas: "Por que vocês ainda estão olhando aí, plantados no chão? Mexam-se, pois esse Jesus que vocês viram subir voltará do mesmo jeito, vindo sobre as nuvens com poder e glória!"
Escrevendo tudo isso, me vejo perplexo assim como Pedro, Tiago, João..., olhando para o céu. Uma sensação de incapacidade, de fraqueza imensurável me diz que é muito difícil, que é praticamente impossível. Não estou falando de ser testemunha. Estou falando daquelas coisas que “não me competem saber”. Abrir mão do que é palpável, firme e agradável, em favor do que não está sob meu controle, do que está oculto mas que pode ainda assim ser a melhor e mais acertada opção da minha vida é o que me parece loucura, suicídio.
Um tanto de descrença se aproxima. Diminuir em favor daquele que já tem céus e terra sob seus pés? Abrir mão de glória e honra em favor daquele que já é glorificado até pelos anjos do céu? Convém que Ele cresça e eu diminua?
Em toda minha sinceridade, confesso: a única coisa que me resta é a própria fé, a crença de que Deus cumpre a promessa que diz: "... mas recebereis poder (em outra tradução virtude) ao descer sobre vós o Espírito Santo...". Poder para sermos testemunhas. Para falarmos da Glória de Jesus e não da nossa própria glória. Poder para atrairmos as pessoas para Cristo em vez de tentarmos causar admiração pela nossa própria pessoa; para nos entregarmos a Deus por completo, inclusive negando-nos a nós mesmos. Poder para pagar o preço do discipulado, para tomar a cruz e segui-lo... para onde quer que Ele nos leve.
Que esse Espírito venha, me transforme, me dê a virtude de ser testemunha, de abrir mão e de ceder em nome de Jesus, Amém.
Jeyson Cordeiro