Pensamentos sobre: ATOS 4: 13 - 22
Acts 4:13-20, Acts 4:21 and Acts 4:22
A mensagem foi passada. Pedro, cheio do Espírito Santo, falou do plano de Deus para a salvação da humanidade. Todos os detalhes, abordados; todos os exemplos, colocados; até mesmo o homem que foi curado estava diante do tribunal, evidenciando de maneira inegável o poder de Deus e a autoridade da pregação de Pedro. O que poderia dar errado agora?
Tudo estava pronto; as evidências eram mais que palpáveis, a pregação mais que inspirada, os ouvintes mais que atentos. Era a hora exata do apelo à conversão. Imagino Pedro, em pé na frente das autoridades, olhando profundamente nos olhos de um por um e, à medida que terminava sua pregação, formulava suas palavras finais: “Autoridades do povo, anciãos e eruditos de Jerusalém. Hoje diante de vós está a opção de seguir a esse Jesus, ressurreto por Deus e atuante em nós por meio de Seu Espírito. Neguem-se a si mesmos e se entreguem ao amor e aos cuidados de Deus. Jesus conhece suas vidas, sabe que vocês precisam dele tanto quanto nós. Reflitam! Se entreguem! Se convertam!” – e, diante de seus olhos, uma platéia em silêncio.
Enquanto Pedro pregava, João provavelmente intercedia por aquelas pessoas, para que o Espírito de Deus tocasse profundamente cada uma delas. “Faz a tua obra, Senhor” – João orava enquanto olhava para cada um – “Sabemos que não nos trouxeste aqui à toa, Senhor. Sabemos que queres alcançar também estes que são as autoridades do teu povo de Israel. Faz a tua obra, ó Pai!”
A pregação termina. O apelo foi feito. Com as mãos junto ao peito, de postura humilde e olhos esperançosos Pedro se cala. Volta para junto de João, seu companheiro e, em silêncio, permanece em oração. Alguns minutos se passam. O sinédrio? Em silêncio. Alguns dos homens atingidos pela verdade do evangelho olham para os discípulos admirados; outros deles contemplam o chão, mas nenhuma, absolutamente nenhuma palavra se ouvia naquele recinto. Até que então explodem as palavras que nunca se esperava da boca das pessoas mais inteligentes da cidade, dos sacerdotes que sempre tinham a resposta certa para toda a ocasião: “Saiam! Esperem lá fora. Precisamos pensar um pouco.” Pedro e João saem, acompanhados pelo paralítico que fora curado.
Com três pessoas a menos, o silêncio no sinédrio parece ainda maior. Diante do tribunal, não está um caso a ser julgado. Diante de cada um dos anciãos, autoridades e eruditos, está uma opção para ser feita. Um caminho para ser escolhido. Não há dúvida de que a pregação de Pedro foi inspirada pelo Espírito de Deus e não há como negar a cura milagrosa que ocorrera naquele homem de quarenta anos. O convite à conversão ressoava nos ouvidos de cada um. Mas por que era tão difícil aceitar a palavra de Pedro e João? Por que não se render a esse Deus tão poderoso e tão cheio de amor que enviou seus discípulos para falar do seu evangelho às autoridades?
A resposta é triste, mas é simples. O preço era alto demais. As pessoas que estavam “julgando” o caso dos dois discípulos eram as mesmas que condenaram Jesus à cruz. Aceitar a palavra de Deus e se render ao seu amor e cuidado significava admitir a própria culpa, admitir a incapacidade humana de agradar a Deus, admitir e arrepender-se dos erros cometidos no passado. Os homens, em silêncio dentro do Sinédrio, sabiam que era necessário se arrepender. E era exatamente o arrependimento, o preço alto demais a ser pago.
Como poderiam eles admitir que haviam errado em condenar Jesus à cruz? Como poderiam eles jogar fora os diplomas de mestrados e doutorados em teologia, filosofia e ciências em favor das palavras ditas por dois pescadores iletrados? Como poderiam eles admitir que erraram ao afirmar “quanto a essa plebe que nada sabe da lei, é maldita” (João 7:49), se era a mesma plebe, o mesmo povo que glorificava a Deus pelo que havia acontecido enquanto eles, os eruditos e doutores da lei se debatiam e relutavam em abrir mão da sua “sabedoria superior“?
Na cena que se segue, o orgulho das autoridades é o fracasso de sua própria sabedoria. Depois do silêncio, o mais orgulhoso (ou mais fracassado) deles se levanta e diz: “É... esses ignorantes aprenderam alguma coisa enquanto estavam com Jesus”. – fala num tom debochado enquanto um sorriso amarelo em sua face tentar espremer uma gota de segurança e certeza das suas palavras insossas. Os outros abaixam a cabeça. Talvez algum deles quase chegou ao ponto de se levantar e se colocar de joelhos diante de Pedro e João, mas, desencorajado, resolve ficar imóvel e concordar em silêncio com o veredicto a ser estabelecido.
- Que faremos com estes homens, companheiros? Eles são um perigo para a nossa autoridade. Nós levamos anos para chegar onde estamos agora! Temos sabedoria para falar de Deus e da lei de Moisés, nosso pai! Um bando de pescadores incultos não pode tomar nosso lugar! Vejam só! O povo segue esses iletrados por onde forem e escutam a todas palavras que dizem! Isso é um insulto para a cultura e para a verdadeira sabedoria. É mister que nós, defensores do conhecimento genuíno silenciemos esses adeptos da seita de Jesus para que nem mesmo mencionem esse nome em público novamente!
E então os discípulos são chamados. Silenciosos diante de um discurso inflamado, repleto de termos em latim, citações proféticas em hebraico arcaico e mais uma porção de elementos de alto teor teológico, Pedro e João, pacientemente esperam os sacerdotes terminarem.
O tempo passa. O discurso não termina. Muitos minutos depois, inflamado, com os olhos vermelhos e veias saltadas, a pergunta final, o golpe de misericórdia finalmente é lançado: “E vocês, pescadores iletrados, acham que tem argumentação suficiente para vencer o meu discurso!!?”
Assim como uma formiga desafiando uma montanha, assim é o discurso do sacerdote para Pedro e João. Eles olham um para o outro. “É preciso não rir agora” – pensam eles diante da patética cena que presenciam. E respondem:
“Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus”.
Dezoito palavras, três verbos e nenhuma vírgula derrubam um discurso grandiloqüente formado no decorrer de anos de faculdade, especialização, mestrado e doutorado.
Os discípulos são soltos. Mas não cantam vitória nenhuma. E de fato, nenhuma vitória ocorreu naquele Sinédrio. Somente o fracasso causado pelo orgulho e pela arrogância prevaleceu naquele lugar. Os sábios e eruditos voltaram para as suas agendas superlotadas de compromissos. Os sacerdotes, voltaram a dar aula de teologia na faculdade de Jerusalém. Os anciãos voltaram aos seus consultórios de aconselhamento. Todos eles menores, diminuídos pela soberba e pela arrogância. Talvez num período de descanso entre um compromisso e outro, ou à noite, quando deitam a cabeça no travesseiro, um deles lembra-se das palavras de Pedro. O coração bate mais forte e aperta no peito a angústia de ter perdido a chance, de não ter pago o preço. “Ah! – pensa ele, em silêncio – sou velho demais para mudar de vida agora, não tenho mais idade para voltar atrás. Quem dera eu fosse mais novo, mais audaz... então eu deixaria tudo, me arrependeria de todas as minhas palavras e voltaria atrás. Mas não posso... sou velho demais”.
E esquecem que o homem que fora curado era paralítico há quarenta anos.
Que Deus nos ajude
Um abraço,
Jeyson Cordeiro
Tudo estava pronto; as evidências eram mais que palpáveis, a pregação mais que inspirada, os ouvintes mais que atentos. Era a hora exata do apelo à conversão. Imagino Pedro, em pé na frente das autoridades, olhando profundamente nos olhos de um por um e, à medida que terminava sua pregação, formulava suas palavras finais: “Autoridades do povo, anciãos e eruditos de Jerusalém. Hoje diante de vós está a opção de seguir a esse Jesus, ressurreto por Deus e atuante em nós por meio de Seu Espírito. Neguem-se a si mesmos e se entreguem ao amor e aos cuidados de Deus. Jesus conhece suas vidas, sabe que vocês precisam dele tanto quanto nós. Reflitam! Se entreguem! Se convertam!” – e, diante de seus olhos, uma platéia em silêncio.
Enquanto Pedro pregava, João provavelmente intercedia por aquelas pessoas, para que o Espírito de Deus tocasse profundamente cada uma delas. “Faz a tua obra, Senhor” – João orava enquanto olhava para cada um – “Sabemos que não nos trouxeste aqui à toa, Senhor. Sabemos que queres alcançar também estes que são as autoridades do teu povo de Israel. Faz a tua obra, ó Pai!”
A pregação termina. O apelo foi feito. Com as mãos junto ao peito, de postura humilde e olhos esperançosos Pedro se cala. Volta para junto de João, seu companheiro e, em silêncio, permanece em oração. Alguns minutos se passam. O sinédrio? Em silêncio. Alguns dos homens atingidos pela verdade do evangelho olham para os discípulos admirados; outros deles contemplam o chão, mas nenhuma, absolutamente nenhuma palavra se ouvia naquele recinto. Até que então explodem as palavras que nunca se esperava da boca das pessoas mais inteligentes da cidade, dos sacerdotes que sempre tinham a resposta certa para toda a ocasião: “Saiam! Esperem lá fora. Precisamos pensar um pouco.” Pedro e João saem, acompanhados pelo paralítico que fora curado.
Com três pessoas a menos, o silêncio no sinédrio parece ainda maior. Diante do tribunal, não está um caso a ser julgado. Diante de cada um dos anciãos, autoridades e eruditos, está uma opção para ser feita. Um caminho para ser escolhido. Não há dúvida de que a pregação de Pedro foi inspirada pelo Espírito de Deus e não há como negar a cura milagrosa que ocorrera naquele homem de quarenta anos. O convite à conversão ressoava nos ouvidos de cada um. Mas por que era tão difícil aceitar a palavra de Pedro e João? Por que não se render a esse Deus tão poderoso e tão cheio de amor que enviou seus discípulos para falar do seu evangelho às autoridades?
A resposta é triste, mas é simples. O preço era alto demais. As pessoas que estavam “julgando” o caso dos dois discípulos eram as mesmas que condenaram Jesus à cruz. Aceitar a palavra de Deus e se render ao seu amor e cuidado significava admitir a própria culpa, admitir a incapacidade humana de agradar a Deus, admitir e arrepender-se dos erros cometidos no passado. Os homens, em silêncio dentro do Sinédrio, sabiam que era necessário se arrepender. E era exatamente o arrependimento, o preço alto demais a ser pago.
Como poderiam eles admitir que haviam errado em condenar Jesus à cruz? Como poderiam eles jogar fora os diplomas de mestrados e doutorados em teologia, filosofia e ciências em favor das palavras ditas por dois pescadores iletrados? Como poderiam eles admitir que erraram ao afirmar “quanto a essa plebe que nada sabe da lei, é maldita” (João 7:49), se era a mesma plebe, o mesmo povo que glorificava a Deus pelo que havia acontecido enquanto eles, os eruditos e doutores da lei se debatiam e relutavam em abrir mão da sua “sabedoria superior“?
Na cena que se segue, o orgulho das autoridades é o fracasso de sua própria sabedoria. Depois do silêncio, o mais orgulhoso (ou mais fracassado) deles se levanta e diz: “É... esses ignorantes aprenderam alguma coisa enquanto estavam com Jesus”. – fala num tom debochado enquanto um sorriso amarelo em sua face tentar espremer uma gota de segurança e certeza das suas palavras insossas. Os outros abaixam a cabeça. Talvez algum deles quase chegou ao ponto de se levantar e se colocar de joelhos diante de Pedro e João, mas, desencorajado, resolve ficar imóvel e concordar em silêncio com o veredicto a ser estabelecido.
- Que faremos com estes homens, companheiros? Eles são um perigo para a nossa autoridade. Nós levamos anos para chegar onde estamos agora! Temos sabedoria para falar de Deus e da lei de Moisés, nosso pai! Um bando de pescadores incultos não pode tomar nosso lugar! Vejam só! O povo segue esses iletrados por onde forem e escutam a todas palavras que dizem! Isso é um insulto para a cultura e para a verdadeira sabedoria. É mister que nós, defensores do conhecimento genuíno silenciemos esses adeptos da seita de Jesus para que nem mesmo mencionem esse nome em público novamente!
E então os discípulos são chamados. Silenciosos diante de um discurso inflamado, repleto de termos em latim, citações proféticas em hebraico arcaico e mais uma porção de elementos de alto teor teológico, Pedro e João, pacientemente esperam os sacerdotes terminarem.
O tempo passa. O discurso não termina. Muitos minutos depois, inflamado, com os olhos vermelhos e veias saltadas, a pergunta final, o golpe de misericórdia finalmente é lançado: “E vocês, pescadores iletrados, acham que tem argumentação suficiente para vencer o meu discurso!!?”
Assim como uma formiga desafiando uma montanha, assim é o discurso do sacerdote para Pedro e João. Eles olham um para o outro. “É preciso não rir agora” – pensam eles diante da patética cena que presenciam. E respondem:
“Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus”.
Dezoito palavras, três verbos e nenhuma vírgula derrubam um discurso grandiloqüente formado no decorrer de anos de faculdade, especialização, mestrado e doutorado.
Os discípulos são soltos. Mas não cantam vitória nenhuma. E de fato, nenhuma vitória ocorreu naquele Sinédrio. Somente o fracasso causado pelo orgulho e pela arrogância prevaleceu naquele lugar. Os sábios e eruditos voltaram para as suas agendas superlotadas de compromissos. Os sacerdotes, voltaram a dar aula de teologia na faculdade de Jerusalém. Os anciãos voltaram aos seus consultórios de aconselhamento. Todos eles menores, diminuídos pela soberba e pela arrogância. Talvez num período de descanso entre um compromisso e outro, ou à noite, quando deitam a cabeça no travesseiro, um deles lembra-se das palavras de Pedro. O coração bate mais forte e aperta no peito a angústia de ter perdido a chance, de não ter pago o preço. “Ah! – pensa ele, em silêncio – sou velho demais para mudar de vida agora, não tenho mais idade para voltar atrás. Quem dera eu fosse mais novo, mais audaz... então eu deixaria tudo, me arrependeria de todas as minhas palavras e voltaria atrás. Mas não posso... sou velho demais”.
E esquecem que o homem que fora curado era paralítico há quarenta anos.
Que Deus nos ajude
Um abraço,
Jeyson Cordeiro