Poligamia


A poligamia no mundo antigo podia basear-se em vários fatores: (1) um desequilíbrio no número de homens e mulheres, (2) a necessidade de gerar muitos filhos para ajudarem no pastoreio e nos campos, (3) o desejo de aumentar o prestígio e as riquezas por meio de numerosos contratos de casamento e (4) a alta taxa de mortalidade entre as parturientes. A poligamia era mais comum entre os grupos nômades de pastores e nas comunidades rurais, onde era importante que as mulheres estivessem ligadas a alguma família e fossem produtivas. Os monarcas também praticavam a poligamia, prioritariamente como um meio de estabelecer alianças com famílias poderosas ou com outras nações. Nessas situações, as esposas muitas vezes tornavam-se reféns, no caso de as relações políticas se deteriorarem.
Como se vê, essas relações estavam longe de revelar o propósito de Deus para um casamento.
Ao contrário de opiniões superficiais e populares, a poligamia é muito menos freqüente no Antigo Testamento do que se supõe (vide Lv 18:18). Quando a encontramos, geralmente há uma razão que parece válida para a ocorrência específica, mas o caso de Lameque não sugere isso.
Lameque parece se orgulhar de seguir o mau exemplo de seu antepassado Caim, pois se vangloriava de suas realizações perversas; gabava-se de sua reação violenta a ofensas insignificantes (Gn 4:23) e considerava-se um vingador mais competente do que Deus: "sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes" (Gn 4:24; Cf. 4:15). Com essa declaração Lameque demonstrava crer que também gozava do salvo-conduto prometido a Caim, mas o considerava uma justificativa para pecar com impunidade.


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